TVDE
Viagens longas no TVDE: o regresso em vazio corta a margem
Lisboa–Algarve, Lisboa–Porto, Fátima ou um aeroporto mais distante da zona habitual: a viagem longa aparece bem no ecrã. Se o carro volta sem passageiro, o regresso em vazio fica por sua conta.
Porque a viagem longa parece compensar
Uma viagem longa de TVDE mostra muitos quilómetros com passageiro e um valor alto na Uber, na Bolt ou noutra aplicação. À primeira vista compensa: o €/km da ida parece largo, e a corrida ocupa a tarde com um único serviço.
O ecrã não mostra a volta. Deixar o cliente no Algarve, no Porto, em Fátima ou num aeroporto não fecha o dia. Se não houver outro passageiro, o regresso até à zona de trabalho é km em vazio: o veículo gasta na mesma, sem receita nesse trajeto. A página sobre o custo do vazio resume a ideia. O que entra na conta está nas perguntas frequentes.
A receita é a da ida. O custo de estrada, com a volta vazia, duplica. A margem que parecia larga encolhe. Não encolhe sempre para metade: isso depende do líquido e do seu €/km. No exemplo abaixo, os pressupostos estão escolhidos para a margem em euros passar exatamente para metade. Com os seus números a queda pode ser maior, menor, ou a viagem pode passar a prejuízo.
O caso geral do ano, para lá de uma viagem, está no guia de km em vazio no TVDE. O vazio curto entre corridas em cidade é outro problema, no guia de TVDE em Lisboa.
Exemplo: Lisboa–Algarve, com e sem regresso em vazio
Pressupostos de exemplo:
- Lisboa → Algarve: 250 km (número redondo para a conta, não é a distância de um percurso concreto).
- Custo por km: 0,40 €/km (exemplo; inclui energia, manutenção, pneus, portagens e a parte dos custos fixos — calcule o seu no CustoPorKM).
- Valor bruto no pedido: 400 € (exemplo, não é uma tarifa de aplicação).
- Comissão da plataforma: 25% (exemplo). A percentagem real depende da marca e do contrato. 25% de 400 € = 100 €, pelo que o líquido do exemplo é 300 €.
- Custo da ida: 250 km × 0,40 €/km = 100 €.
- Custo da ida e do regresso em vazio: 500 km × 0,40 €/km = 200 €.
- Sem regresso em vazio (há passageiro na volta, ou fica a trabalhar no destino): 300 € − 100 € = 200 € de margem.
- Com regresso em vazio: 300 € − 200 € = 100 € de margem. Metade.
A mesma receita espalhada pelos quilómetros que o carro realmente fez: 300 € / 250 km = 1,20 €/km sem a volta vazia; 300 € / 500 km = 0,60 €/km com a volta vazia. Também metade. São pressupostos para ver a escala, não um resultado da sua operação.
Sem regresso em vazio (exemplo)
- Quilómetros percorridos: 250 km.
- Custo de estrada: 100 €.
- Líquido: 300 €.
- Margem ilustrativa: 200 €.
Com regresso em vazio (exemplo)
- Quilómetros percorridos: 500 km.
- Custo de estrada: 200 €.
- Líquido: os mesmos 300 €.
- Margem ilustrativa: 100 €.
Lisboa–Porto, Fátima ou um aeroporto mais distante mudam os quilómetros e a hipótese de haver volta com passageiro. A regra não muda. Se a portagem desta viagem não estiver já no seu €/km, some-a à parte. O guia do transfer para o aeroporto trata a volta curta ao terminal. O da taxa mínima trata o extremo oposto: a corrida curta.
Aceitar, procurar regresso, zonas e pausas
Aceitar ou não
No TVDE o preço do pedido não se combina com o passageiro. Compare o líquido que a aplicação mostra com o custo da ida mais o regresso que espera fazer sem cliente. Se essa margem ficar fina, ou negativa, o valor alto engana.
Recusar não é uma regra para todas as viagens longas. Uma ida longa com volta provável, ou em que fica numa zona com procura, pode fazer sentido. Se só metade das voltas leva passageiro, conte metade desses quilómetros como vazio, não a volta inteira.
Procurar uma viagem de regresso
Antes de aceitar, veja se no destino há pedidos no sentido da volta à hora a que chega. Uma recolha no regresso tira esses quilómetros do vazio. Se não aparecer num prazo que lhe sirva, conte a volta como vazia. Esperar sem pôr o tempo na conta é o mesmo que assumir que a viagem compensa.
Zonas de procura
No destino, a procura costuma estar no aeroporto, na estação, na zona de hotéis ou no centro — e muda com a hora. Chegar de madrugada a um sítio calmo não é o mesmo que chegar a meio da tarde. Em Fátima, o dia e a hora alteram a hipótese de conseguir viagem de regresso. Não assuma que há regresso só porque o destino é conhecido.
Pausas
Uma ida de algumas horas, mais a volta, ocupa um bloco grande do turno. Faça a pausa que a viagem pede. A pausa não soma quilómetros, mas tira o carro de outras viagens. Se a conta só olha para o valor do pedido, ignora o resto do dia que essa viagem consome.
Quanto cobrar quando o preço é seu
Em táxi ou num transfer combinado, o preço pode incluir o regresso. Uma forma simples: some os km com passageiro aos km de regresso que espera fazer sem cliente, multiplique pelo custo por km, e só depois junte a margem. Se a volta for muitas vezes com passageiro, use só a parte que costuma ir vazia.
No exemplo, o chão do custo de estrada com volta vazia é 200 €, antes de margem. Não é um preço a praticar. Para ficar com a mesma margem ilustrativa de 200 € do cenário sem vazio, o líquido teria de chegar a 400 € (exemplo): 200 € de custo mais 200 € de margem. Se uma plataforma retiver comissão, o bruto ao cliente tem de ser mais alto para o líquido chegar lá.
O caso do regresso em táxi, transfers e turismo, fora desta viagem longa, está no guia do custo do regresso sem passageiro. Isto não é uma tabela de preços.
Junte os regressos ao resto do vazio
Uma viagem não chega para ver o ano. Junte estes regressos aos outros km em vazio e ponha-os na calculadora, em percentagem ou em quilómetros. O resultado é o custo anual e mensal do vazio, e o peso no custo da operação. Os valores são estimativas para comparar cenários. Não substituem contabilidade.
Perguntas frequentes
Uma viagem longa de TVDE compensa?
Compensa se a margem aguentar o regresso. O valor no ecrã paga a ida com passageiro. Se voltar sem cliente, o carro faz o caminho duas vezes com a mesma receita e a margem desce. No exemplo desta página, com pressupostos redondos, passa para metade. Use o líquido do seu pedido e o seu custo por km.
O regresso em vazio entra no que a Uber ou a Bolt pagam?
Não. Nessas aplicações o preço é o da viagem com o passageiro a bordo. O regresso sem cliente não vem nesse valor. A comissão também muda de contrato para contrato: compare o líquido que a aplicação mostra, não uma percentagem genérica.
Quanto cobrar por uma viagem longa quando o preço é meu?
Some os quilómetros com passageiro aos quilómetros de regresso que espera fazer sem cliente. Multiplique pelo seu custo por km e junte a margem. Se uma plataforma ficar com comissão, o preço ao cliente tem de ser mais alto para o líquido cobrir essa conta. Não é uma tabela da Uber nem da Bolt.
Os valores do exemplo de Lisboa ao Algarve são reais?
Não. Distância, custo por km, comissão e valor da viagem são pressupostos de exemplo, com números redondos. Não são tarifas, médias do setor nem distâncias oficiais.
Como conto a viagem se conseguir um regresso com passageiro?
Esses quilómetros deixam de ser vazio. Conte só a parte da volta que faz sem passageiro. Se a volta for inteira com cliente, o custo de estrada fica o da ida, mais a deslocação até à recolha se essa também for sem passageiro.